1/07/2014

História da Jenn e Bônus

Eu, eu não sei se de fato, você, que lê isso, me conhece. Eu sou apenas mais uma, que  não aparece, não é atualizada, e, enfim, acho que você não sabe mesmo. Tem uma probabilidade de uns 90% de você não me conhecer. Apesar de eu ter uma história, eu não sou a principal, e como dão apenas importância para os principais, os que dão mais ‘destaque’, sabe?,  eu sempre fico de fora. Não apenas com os meus amigos, mas na minha família já é algo assim.
Acontece que eu também sou bem tímida, mas isso não vem ao caso.
Caso você não me conheça, vou logo explicando : meu nome é Jenn Wolf, tenho 78 anos, (aparência de 16) sou de uma tribo de lobisomens famosa, mas muito rígida. Sou filha do ‘dono’ do grupo, o alfa, digamos. Meu irmão mais velho, Stewart, também é um alfa, ele tem um cabelo liso comprido e bem-cuidado, ele é alto e forte, tipo, bem, beeem forte. Não aquele corpo (meio) humano com braços e pernas completamente desproporcionais, com uma força de Deus e bla blah blah, na verdade ele é forte, sim, bastante forte, mas não tipo um Chuck Norris da vida, ele é de um bom ‘porte’ já que ele é um alfa, e ele não tem músculos desproporcionais, ele tem alguns músculos, não tão grandes, nem tantos. Ta ótimo pra um alfa. Tipo, muito bom mesmo para um alfa.
A começar a falar da minha tribo.
Minha tribo é a Alfa e Ômega, e é tipo suuper secreta, é sigilo absoluto, se você contar para alguém não autorizado : morre. Você é perseguido pelos melhores da tribo e, de um jeito ou de outro você acaba morrendo, uma hora ou outra vão descobrir, ou vão te achar.
Apesar de eu ser filha do ‘alfa supremo’ – Eu chamo ele de alfa supremo mesmo, e eu chamo o Stewart de alfa-médio – ele não tem confiança total em mim, tipo, a própria filha dele, vê se pode! Ele me chama de fraca, diz que eu não tenho futuro nenhum para ser uma alfa, – assim mesmo, na lata, sem dó nem piedade – pois requer muita responsabilidade e blah, blah, blah, e essa chatice toda, apesar de que o meu maior sonho é participar de verdade da tribo, ser uma alfa ou uma ômega. Já pensou? Eu seria vista finalmente pela sociedade como eu realmente quero, meu maior sonho, mas só sonho mesmo. Já perdi todas as esperanças.
O problema real é que meu pai me denomina fraca demais, mas tipo, ele nunca me levou pra trabalhar duro, participar de tudo aquilo pior que um treinamento militar, não que eu desejasse, mas eu queria mostrar para o meu pai uma chance de que eu posso ser melhor que o Stewart e que a Anna, com certeza por causa dela.
Espera, espera. Vou explicar quem é tal da Anna.
A Anna é uma americana normal que trabalha como garçonete em um barzinho desses aí sem importância. Ela vive com seu salário e sua gorjeta, que ganha quase nunca. Ela é, devo admitir, bem bonita. Tem os olhos cor de amêndoa e os cabelos castanhos meio caramelo. Ela é magra, esbelta e forte, isso segundo o Stewart.
Na verdade eu acho isso apenas conversa, ela estaria morta se não fosse pelo meu irmão.
Ela se transformou em um lobisomem, sim, foi transformada. E, como ela foi transformada ela quase morreu,pois era muito fraca e ela era uma humana, não tinha treinamento para tal. Ela foi transformada em uns caras bem perigosos, eles fazem coisas tão ruins que eu nem quero contar, de verdade. Mas, acredito que por causa da sua beleza ela ganhou meu pai e meu irmão, agora meu pai é super na dela e diz que ela apenas está tentando se acostumar com tudo novo, e meu irmão é tipo, super afim dela. Ela até dormiu na casa dele um dia. Nada a declarar. Não espiei nada, por favor, tenho coisas melhores pra fazer  – e me veriam se eu ficasse olhando pela fechadura –.
Ela já tentou ficar minha amiguinha, mas eu não dei a menor pra ela, e todo o sacrifício que ela fez para me fazer de alguma forma gostar dela – nem um tantinho que seja – foi pro lixo, porque ela é tipo, super entediante e sem assunto, além do mais, ela realmente não sabe quando conversar com alguém, – talvez pela atenção que ela sempre ganha – pois eu estava de fones.
Eu também não ouvi nada e aumentei o volume da música – Misery do Maroom 5 – para usar uma desculpa caso ela dissesse para o meu pai que eu a ignorei.
Ela não contou, mas eu ainda não gosto dela. Simplesmente porque têm gente muito melhor que ela na tribo e quem recebe a atenção de 100% dela é essa maldita Anna. Eu sempre falo para abrirem o olho, que ela não é isso que aparenta e tal, mas nunca me escutam, e ficam com essa mesma ladainha de ‘você não sabe o que ela passou’ ou ‘conheça ela primeiro’, esse papo chato.
Agora a passar sobre a minha vida.
Na verdade, meu pai queria que, ao invés de uma menina, eu fosse um menino. Para tomar o lugar do Stewart caso acontecesse algo.
Á alguns anos eu fui ao encontro de meu pai, decidida de que eu iria contar tudo o que me aflige. Vesti meu gorro vermelho, meu cachecol com duas cores, – vermelho e preto – um suéter que vem dos ombros até as mãos branco, um pequeno top preto e uma calça jeans escura esfolada. Peguei qualquer um dos tênis que encontrei e acabei pegando um all-star verde escuro de couro. Não me preocupei tanto com o cabelo já que parte dele estava dentro do gorro ou apertado pelo cachecol.
Eu caminhei com passos lentos e surdos até o pequeno jardim botânico do lado de fora para fazer uma surpresa, mas acabei espirrando e ele se virou para mim com uma cara séria. Ele estava de óculos, vestia uma blusa preta comprida de gola V com uma blusa menor regata dentro, um jeans bem passado e com o cabelo grisalho espetado de uma forma desarrumada, porém, com estilo. Coçou a barba mal feita e se apoiou aonde estava, com uma pequena pá em mãos. Uma cara de interrogação notável.
– Pai... – eu fiz uma pausa, olhei para baixo e engoli em seco. – Pai, – repeti, tentando de novo, dessa vez olhando em seus olhos – eu quero te contar algo que me aflige a muito tempo – coloquei uma das minhas mãos em cima do meu peito e a outra mão por cima da outra.
– Hm, nada importante, acredito – ele se virou para as plantas – Pode contar se você faz questão, vou estar ouvindo. – Meu pai nunca levou nada do que eu digo a sério.
– Mas é importante! – eu disse com a voz um pouco mais forte. Mas ele continuou na sua mesma posição, me ignorando. – Eu... – olhei para baixo e respirei fundo. Olhei para ele novamente, apesar de estar vendo apenas seu cabelo grisalho. – Eu te amo, e eu gostaria que você demonstrasse o mesmo por mim. Eu sou sua filha, não ganho sua atenção. Eu sei muito bem que você queria um menino. Eu sei que você me odeia, mas acho que eu tenho a chance de mostrar que eu sou boa o suficiente para ser tratada direito! – as lágrimas caiam, e eu continuei ainda mais forte – Minhas chances de que você se lembrasse de mim foram totalmente apagadas desde quando essa... essa Anna chegou. Eu sei que você gosta mais do Stewart! Eu sei! Mas, transmita pelo menos uma vez, uma, só uma vez, que eu sou importante para você. – Cai com as pernas bambas, ainda chorando, mas sem parar nem um instante –  Você podia demonstrar o mesmo amor que a mamãe! – eu diria muito mais coisas, mas ele me interrompeu.
Levantou-se rapidamente se dirigindo a mim com passos firmes. Levantou minha cabeça com seus dedos  levantando meu queixo e, ao tirar seus dedos, me deu um tapa. Sim, um tapa na cara. Daqueles bem  fortes, cheios de ódio, de rancor. Eu olhei para ele ainda chorando com uma das mãos no local atingido, e, apesar daquela marca ter sido feita no meu rosto, a marca desse mal-trato ficou para sempre no meu coração; o local atingido pela mão dele fumegava.
Ele saiu com uma cara de nojo.
Fiquei ali aos prantos. Por um longo tempo botei tudo o que eu sentia para fora por meio de lágrimas.
Pode parecer estranho, mas é assim. Meu pai nunca gostou de mim. Eu vivo trancada no meu quarto. Também não tenho escolha. Ele colocou grades nas janelas e na porta para eu não sair e colocou um compartimento minúsculo para eles passarem a comida. Apesar de esquecerem com freqüência de passar ali, me deixando com fome sempre.
O que leva eles a fazerem isso? Porque para eles eu sou uma ameaça, o fato de eu Sempre sair a procura de confusão, como meu pai e meu irmão sempre dizem, faz com que a tribo seja ameaçada,e eles temem que eu chame alguém que não merece para a tribo.
Minhas únicas coisas a fazer são desenhar, escrever e navegar na web. Não tenho uma vida. Talvez quando eu era mais nova, eu não sofria tanto por conta da minha mãe. Várias vezes eles já brigaram por causa do meu pai querendo me matar. Minha mãe morreu enquanto me defendia de um lobo de uma tribo inimiga. Meu pai me levou para dentro de um carro enquanto ela lutava. Mas quando voltamos já era tarde demais. Eu tinha 3 anos, isso marcou muito a minha infância. 75 anos se passaram longe da minha mãe. Ainda choro todos os dias por isso, pensando como eu estaria vivendo atualmente se ela ainda estivesse comigo.
Sabe, sempre que eu penso na minha mãe – e na morte dela – é como se uma estaca fosse colocada no meu peito, fazendo toda essa dor voltar. É como se minha alma estivesse saindo de mim, esse vazio... Esse vazio dói. É como se uma parte de mim fosse arrancada, é como mergulhar em um mar de amargura, é uma dor inexplicável, indescritível.
Meu pai já teve umas cinco mulheres para a candidata madrasta. Nenhuma foi aceita, então ele se mantém sozinho. Depois de alguns anos passei a ter uma vida social. Eu finalmente tinha a companhia da minha família na mesa de jantar, eu freqüentava a escola e tudo mais. Nunca dava uma palavra caso tivesse algum assunto na mesa. Parava de comer e ia direto para o meu quarto.
Bom, como minha família não confia em mim, meu primo foi, tipo, contratado pelo meu pai para me vigiar, caso eu converse com alguém que não deve, fale sobre algo que não posso, essas coisas. As pessoas pensam que ele é tipo, meu melhor amigo para sempre – BFF para os íntimos – porque ele fica comigo, tipo, sempre. Eu vou lanchar, ele vai sentar junto comigo; eu to estudando, ele vai ficar do meu lado, etc. Mas ele não conversa comigo e tudo o que eu falo pra ele, ele simplesmente ignora. Então ele não é nem um ‘amigo de fachada’, ele fica no celular o tempo todo, tipo, sério, não é brincadeira, é todo tempo mesmo.
Ele quase não me faz ter amigos. Sempre que eu converso com alguém – o que é raro – ele sempre atrapalha. Por isso as conversas são meio tensas. Sempre que alguém falava um simples oi ele olhava com aquele ar assassino de quem iria arrancar suas cordas vocais se você dissesse mais alguma coisa ou falava algo como Quem é você? Ou Vá embora, com um ar bem mórbido. As pessoas normalmente saiam correndo; a única vez que isso não funcionou foi com a Catarinn.
 – Fala menina! – ela disse já vindo puxar um papo comigo.
– Ahn... – eu me virei para ela quase sorrindo –... Oi? – gaguejei. Olhei para o lado e o Timmy, o primo contratado para se passar como meu amigo, começou a olhar para nós.
– Huh, olá, hm... rapaz – ela disse se referindo ao Timmy com um largo sorriso no rosto. Ajeitou o chapéu e fez uma careta engraçada de desaprovação, levando os dedos ao encontro dos lábios. – Huh, que palavra mais século passado. – eu ri – Qual é teu nome, jovem? – ela fez uma cara de como quem dissesse “melhorou”.
– Timmy – ele disse aos sussurros, com aquela voz arranhada.
– Ok, Timmy. – ela disse se sentando ao meu lado, o que fez Timmy ficar ainda mais inquieto. Guardou o celular no bolso e se endireitou na cadeira olhando de uma forma ameaçadora para Cat, como ele faz com todo mundo que se atreve a conversar comigo. Normalmente as pessoas saiam naquele instante, menos Catarinn, o que me fez ficar ainda mais aliviada e ver que ela poderia ser realmente uma amiga para todas as horas, porque ela não desistia fácil de seus amigos. Ou quem ela queria que fossem. Eu olhei para baixo com um rosto aliviado – O que foi, moça Jenn?
– Huh, você já sabe meu nome, grande começo – eu disse sorrindo – é que, sabe, ninguém conversa comigo...
– Você é do tipo que gosta de ficar sozinha, então? – Cat disse me interrompendo. Eu ia responder algo, mas o Timmy respondeu na frente.
– Exatamente. Agora saia. Ela não gosta da companhia de muitas pessoas – ele dizia ainda com aquele olhar de parar o sangue.
– Eu ia dizer que eu a faria mudar, jovem Timmy – ela disse com um sorriso de desafio – Não se apresse com as palavras.
Timmy ficou realmente irritado agora.
– E eu também não tinha terminado de falar – eu me ajeitei na cadeira como se desafiasse o Timmy também, eu adoro isso. – Enfim, não que eu não goste de fazer amigos, só não tenho uma... uma... uma chance, sabe?
Ela fez que sim com a cabeça. Eu sorri.
– Huh, compreendo. Mas, não é tão difícil de ficar perto das pessoas. Por mais que elas sejam, a maioria, bem traiçoeira, alguns, poucos, é que realmente merecem estar perto. Mas as pessoas são falsas e escondem o que realmente são. Mas, apesar do sentimento das outras pessoas, você não pode esconder o que sente. O sentimento dela não vai mudar o seu, então corra atrás das suas paixões e amizades. Todos têm um lado bom dentro de si. – Ela sorriu. Pode ser louca mas nesses casos fala melhor que ninguém.
Foi aí que eu percebi que a Cat era quem merecia ser minha amiga de verdade, ou o contrário. Só sei que, eu confiava muito nela, assim, sabe?, do nada. Ela é a minha única amiga até hoje.
O resto se resume em : futuros amigos que fugiam do meu primo, aulas chatas, brigas com a minha família, e mais chatice de todas as partes.
Inspiração na série de livros Alfa e Ômega, de Patricia Brigghts;
Parte Bônus.
Momento em que Jenn perdeu sua mãe
A jovem Jenn caminhava tranquilamente em sua forma lobo pela floresta com a companhia de sua mãe. Estavam em cima de uma montanha, a neve fazia os olhos da pequena brilharem como uma lâmpada acesa. Jenn olhava para trás para ver a trilha de patinhas que fez ao pisar no chão fofo da montanha cheia de neve.
Foi nesse momento que um lobo de uma tribo inimiga ficou observando-os, para ver o momento certo para atacar.
Jenn ficou pulando em um lugar para ver suas patas fazerem vários clones das mesmas, e nesse momento o lobo pulou em cima de Jenn. A pequena começou a chorar, já no chão. A mãe dela correu loucamente ao seu encontro e empurrou o lobo para longe de Jenn. Jenn se levantou olhando para sua mãe, que lutava com o lobo.
Ambos estavam cheios de sangue, o lobo empurrou a mãe de Jenn, foi ao encontro dela para fazer aquilo tudo acabar, mas a mãe dela atacou, mordendo o pescoço dele. Jenn chorava.
Seu pai chegou e puxou Jenn para um lugar longe daquilo tudo para deixá-la em algum lugar seguro, enquanto ela gritava :
– MAMÃE!
Seu pai deixou-a dentro do Jipe amarelo e saiu para ajudar a mãe da pequena. Jenn fugiu pela janela e começou a seguir seu pai. Se pôs em lágrimas ao ver aquilo.
Sua mãe, já com a forma humana, estava deitada, chorando, porém, com uma grande marca em seu peito, jorrando sangue. Jenn se aproximou :
- M-mamãe? – ela disse colocando a patinha levemente em seu ombro – Mamãe, acorda! – ela começou a chorar – PAPAI POR QUE A MAMÃE NÃO ACORDA? MAMÃE! – as lágrimas caindo no casaco de sua mãe. Se abaixou até apoiar o rosto em seu peito. – Mamãe eu te amo... – disse em meio aos soluços, sem se importar com o sangue que grudava aos seus cabelos.
OBSERVAÇÕES
O Stewart realmente gosta da Anna, (Stewart : EU NÃO GOSTO DELA MEU DEUS! Eu : CALA A BOCA FOI EU QUE CRIEI VOCÊ! Stewart : na verdade quem me criou foi a Patric... Eu : E vai me dizer que você não gosta da Anna no livro? Stewart : AAAAARGH) e a Anna não é uma pessoa ruim.
A tribo, o Stewart (no livro ele tem um nome diferente), a Anna, o pai da Jenn e a causa da morte da mãe da Jenn foram inspirados no livro Lobos Não Choram. (A parte que a Anna dormia com o Stewart também; Jenn : UAHEUAHEUE; Stewart : cala os dedo ;-;).

História do Daniel

Gostaria de lembrá-los que, como o Daniel não existe de verdade, certas coisas estão um pouco diferentes da verdade. Por exemplo, o Daron (pai do Daniel) namorou a Jéssica (mãe do Daniel) em 2005 mais ou menos, porém eu fiz com que fosse um pouco mais adiantado, para não fazê-lo tão novo. Essa parte em negrito não faz parte da história. Agora podem continuar a ler (~'-')~
Aqui eu irei contar a minha história, não que eu goste, não que eu realmente queira, mas a Injhi me contou que ela também tinha escrito sua história e me convenceu a escrevê-la.
Antes de realmente começar, tenho que lembrá-los que minha infância não foi e nunca foi fácil, talvez pelo fato de que eu sou um vampiro e que tudo piora as coisas, mas enquanto eu ainda era um normie eu sofria bastante.
Para início de conversa, eu nasci em meio ao rock. Meus tios, enquanto ainda eram jovens, com mais ou menos uns 12 anos, já colecionavam posters de bandas de rock, um exemplo dela era Kiss, isso quando meu pai tinha apenas 4 anos.
Desde então meu pai sempre quis ser um músico, ele queria ser como seus irmãos, queria seguir seus exemplos, então ele também já começou a colecionar discos ainda novinho. 4 anos ainda, para ser mais exato. Foi aí que tudo começou, se você perguntasse para ele aos seus 7 ou 8 anos o que ele gostaria ser quando crescesse, ele já responderia que queria ser músico, que queria formar uma banda.
Foi aí que tudo começou para mim também.
Quando eu nasci, meu pai já tinha uma idéia do que ele queria fazer, apesar de que a banda System of a Down ainda não tinha se formado. Mas não vamos nos precipitar, vou começar a falar da minha infância, porque isso é uma auto-biografia minha, não da banda, nem do meu pai, nem de ninguém, apenas minha.
Pouquíssimas pessoas sabem que, na verdade, eu odeio minha mãe, para mim é como se ela não existisse, não que eu realmente quisesse que ela existisse, mas não digam que eu estou fazendo draminha, isso é sério.
Eu simplesmente a odeio pelo fato de que, para mim, ela só ficou com o meu pai por dinheiro, pegou o que queria e fugiu a procura de gente mais rica. Ela simplesmente engravidou de mim e foi embora. Não acho isso algo ruim até, porque eu acho que minha infância foi realmente muito melhor sem ela por perto. Até que não é tão sofrido viver sem uma mãe, mas eu não sei se isso é algo bom ou ruim, nunca vou realmente saber. Não que eu queira, mas, ah, esquece. Tudo foi inevitável, era aquele futuro que me esperava, e eu não podia fazer nada para mudá-lo. Infelizmente.
Ao completar meus 2 anos, tudo ainda era muito novo para mim, nós éramos pobres, mas apesar de tudo foi um tempo bem vivido, nem tudo era algo bom, mas não quero ser pessimista.
Eu era muito pálido, muito fraco naquele tempo, eu preferia ficar sozinho a ter que ficar com outras pessoas, e isso chamava atenção, apesar de o que eu menos queria isso. Também viviam me zoando por causa da minha heterochromia. Um olho claro – quase branco, na verdade – e o outro verde.
Meu pai nunca teve um emprego fixo, o que fazia eu ficar sozinho na maioria do tempo. Não que eu tivesse medo, eu gostava de ficar sozinho, mas não com aquelas pessoas. Então eles sempre me usavam como saco de pancadas, faziam a maldita brincadeira da latinha, me usando como a mesma. A cada dia tudo isso ficava mais e mais dolorido, e eu sempre inventava a mesma desculpa todo o dia ao meu pai :
– Não se preocupe, pai, eu apenas cai várias vezes enquanto caminhava na rua...
 Meu pai não participava muito da minha infância, mas não devo culpá-lo por isso, eu sei que era duro, ele precisava nos manter vivos. O mundo gira em torno do dinheiro.
Aos 5 anos, ainda sofrendo bastante com isso, – e tendo quebrado vários ossos – eu trancava-me  no meu quarto, escutando meu pai tocar suas músicas. Foi aos meus 5 anos que eu comecei a querer aprender a tocar instrumentos, cantar. Eu queria ser músico, apesar das barreiras. Todos riam desse meu possível futuro, e era muito desmotivador pelo fato de que não existia ninguém para me apoiar.
Eu era um garoto muito sem esperanças no futuro, na vida. Aos meus 6 anos nada de bom tinha acontecido, eu só era usado como um saco de pancadas, só vivia para chorar e lamentar da vida, ter sonhos com um possível futuro em que eu queria viver, com amigos. Eu nunca tive um aniversário, uma festa, um bolinho, nem isso. Isso é traumatizante para uma criança de 6 anos.
Ao completar meus 12 anos era tudo a mesma coisa. Ao final do ano, nós finalmente nos mudamos de casa, e fiquei aliviado por me livrar daquele inferno.
Tudo era muito melhor que antes. Eu não tinha mais inimigos ou pessoas querendo me matar. Eu ainda não tinha amigos, era um anti-social, mas não era tão ruim, pelo menos para mim. Minha única diversão era um balanço que estava a ponto de quebrar.
Ao completar 17 anos eu fui caminhar por aí, para ver com quem conversar ou ter um amigo pelo menos. 17 anos sem conversar com alguém que não fosse seu pai ou alguém que quisesse te matar não é nada normal.
Porém alguns cães de rua que provavelmente não comiam a tempos começaram a me seguir, então comecei a correr, até me tocar que eu estava completamente perdido.
Caminhei por entre as árvores me sentindo ainda mais longe de casa, então decidi ficar parado e esperar alguém me socorrer. Fui pegar alguns gravetos e senti a presença de alguém perto de mim.
Me virei e não vi ninguém, nem um barulho.
Acendi uma pequena fogueira e com outros pequenos pedaços de madeira fui colocando as chamas para ele aumentar. O fogo me esquentava, então fechei os olhos por alguns segundos e durante esse tempo senti alguém atrás de mim.
– Eu devo estar delirando. – me levantei e senti algumas mãos em meu ombro. Eu definitivamente não estava ficando louco. Felizmente. Ou não. – Q-quem é v-você? – perguntei suando frio.
– Acalme-se jovem. Você está fraco... está a beira da morte, isso se você continuar assim. – era um homem, tinha a voz calma, cabelos longos e vestia roupas escuras.
– Eu sei que sou pobre mas... – fui interrompido pela sombra do homem, que apagou a fogueira com um estalo vindo de seus dedos.
– Eu não estou me referindo a isso... – engoli em seco, sem entender nada.
– O-o que...? – não pude terminar a frase. Ele alisava meu pescoço com suas mãos, e por mais que eu tentasse me soltar, eu não conseguia mover um músculo de meu corpo.
– Vai ficar tudo melhor, confie. – Senti ele chegando ainda mais próximo de meu pescoço, e ele finalmente mordeu o local. Arregalei os olhos com medo, mas ainda não podia me mover. Senti seus dentes perfurarem meu pescoço, e me vi caindo, com minha visão embaçada. Virei minha cabeça para encará-lo, mas não pude ver quase nada. Meu sangue quente escorria pelo meu pescoço frio, e pude vê-lo lambendo seus lábios para coletar o meu sangue que ainda restava nele. Minhas pálpebras começaram a ficar mais pesadas, e em um sacrifício em vão, eu lutava para me manter acordado.
Acordei com o sol no meu rosto. Senti algo diferente em mim. Passei meus dedos pela minha boca e senti dois dentes pontudos. Passei minha mão pelo meu pescoço e senti dois pequenos furinhos. Eu ainda tinha pensado que era um sonho, mas, depois disso, percebi que era algo real. Me levantei com certa dificuldade e olhei para mim mesmo : minha pele estava um pouco mais escura e acinzentada.
Comecei a cambalear a fora da floresta e finalmente encontrei minha casa : meu pai estava impaciente e aparentava estar preocupado. Ele olhou para mim e com passos largos  me deu um abraço que durou pouco tempo.
– Filho! Ah, cara, você me deu um susto, caramba!
– Desculpe – eu disse em meio a pequenos risos.
– Você está... diferente... – ele disse caminhando em direção a porta da frente da nossa casa.
– Não sei como posso explicar isso. – Eu disse o acompanhando.
Chegamos a frente de nossa casa e eu contei tudo a ele. Ele me disse que tinham histórias assim a algum tempo, parece que aquela ‘sombra’ fugiu de Salem. O que me preocupou mais ainda era que ele me contou que iríamos nos mudar para Salem em breve.
– O-o quê?! – eu disse me levantando bruscamente.
– Calma, cara. Já que você é um vampiro não devia se preocupar tanto. Você precisa ir para uma escola e cedo ou tarde vão descobrir que você é um vampiro. Já imaginou? – Ele se levantou e foi a procura de um espelho. – Olha cara.
Me vi com o cabelo espetado e um dos olhos vermelho. A heterochromia foi mantida. Olhei para minha pele e  fechei os olhos. Me sentei e apoiei os meus cotovelos nas minhas cochas com os olhos fechados.
– Vai ficar tudo bem, cara. – Meu pai repetia. – Tudo bem.
Passaram-se 4 anos vivendo em Salem como um vampiro. Completei meus 21 anos e meu pai anunciou :
– Eu faço parte de uma banda, cara! – ele estava realmente animado.
– Que fera, pai! Qual é?
– System of a Down. Em breve te mostro os integrantes. Você vai se amarrar.
Sorri. Um sorriso frouxo, com meus caninos a mostra. Eu estava feliz. Pela primeira vez em 21 anos eu estava realmente feliz. Eu tinha amigos, eu tinha um lugar pra ficar, eu tinha personalidade. Eu estava tão feliz. Por mais que meu pai me visitasse pouquíssimas vezes por conta da banda, eu sabia que ele estava feliz também. E a felicidade do meu pai é sinônimo da minha. Passei mais da metade da minha vida sofrendo, e fico feliz em ser um exemplo para as pessoas, para elas verem que podem melhorar de vida.
Eu não me arrependo de nenhuma parte da minha vida, nem das minhas escolhas. Por mais que eu gostaria que eu não tivesse passado por tantas coisas ruins na minha vida, nada foi em vão. As vezes é preciso sofrer para se encontrar a felicidade.
Eu ainda sofro, claro. Mas pelo menos eu já tenho um motivo para a minha existência.

12/17/2013

Sweet 1400 - Epílogo

Haviam se passado cerca de três semanas que a festa de 1400 anos de Natalie e Maddie tinha ocorrido, e tudo ocorria normalmente.
Natalie se levantou de sua cadeira dourada e rosa em estilo vitoriano e caminhou por seu quarto. Ela já tinha testado algumas maneiras de matar usando o anel, e a morte de Branka não tinha apresentado nenhum dos resultados que ocorriam quando o anel liquidava: o corpo de Branka tinha desaparecido e fogo tinha saído de onde ela estava. Se ela realmente tivesse sido liquidada, seu corpo teria ficado imóvel no chão e o fogo não surgiria.
Natalie se levantou da cadeira e caminhou para seu closet. Ela entrou no closet que tinha o tamanho de uma sala de aula. Passando reto pelas inúmeras fileiras de roupas, sapatos, bolsas, acessórios variados, cosméticos e joias, por um tapete, uma chaise longue e um espelho, Natalie se dirigiu a um baú de madeira no final do closet e posicionou seu anel na lateral dele e o girou. O baú se moveu para o meio da sala, dando acesso a uma porta escondida. A garota retirou o anel e o colocou na fechadura da porta, girando-o e fazendo a porta se abrir com uma batida surda.
A sala a frente de Natalie era muito diferente do resto do quarto. As paredes estavam cobertas de televisões, monitores de computador e aparelhos eletrônicos diferentes, o piso era de madeira escura e não havia janelas, além de terem vários armários, prateleiras e cofres espalhados, cheios de armas, antídotos, venenos e disfarces. Aquele era o quartel general de Natalie.
Havia apenas uma cadeira – era uma cadeira de escritório de couro roxo. Ela se sentou e começou a pensar: se Branka realmente não tinha morrido, porque Natalie ainda não tinha sido atacada? Girando o pulso para si, Naty consultou o relógio de pulso; eram onze da noite.
Natalie passou uma, duas, três horas ali, pensando. Ela nunca soube ao certo quanto tempo havia passado, raciocinando como Branka teria desaparecido; ela só soube que adormeceu antes de concluir seus pensamentos.
~//~
Muito longe dali, Branka se sentou em um trono azul e prata. Ela tinha finalmente retornado ao seu palácio, nas montanhas.
Para sua sorte, ela tinha conseguido fugir antes de o poder dos anéis acertar ela. Para concluir sua missão, ela tinha liberado fogo pelo galpão exilado onde torturou Natalie e Madeleine. Mas as pirralhas fugiram... e sobreviveram pensou Branka, com muito rancor.
Ninguém sabia que Branka estava viva, além dela mesma – e Natalie, mas Branka não fazia a mínima ideia das hipóteses de sua prima.

Branka planejava sua vingança, a volta até a Inglaterra, para finalmente derrotar aquelas pirralhas.

Sweet 1400 - Capítulo 5

Zendaya abriu seus olhos. Sua visão estava embaçada por microlysts que cobriam seus olhos, como se ela tivesse ficado muito tempo de olhos abertos e sem piscar. Ela estava deitada no chão frio de concreto, e se sentia fraca como se tivesse ficado na luz do Sol por vários dias seguidos, embora sua pele não apresentasse bolhas. Graças a capacidade de ver no escuro que os anjos sombrios tinham – Ou talvez porque Lana brilhasse muito no escuro, deixando a sala escura com uma luz verde – Zendaya conseguiu enxergar a sala escura, com uma porta fechada e velas apagadas.
Com um pouco de dor, ela se sentou. Dentre os corpos deitados no chão, só ela parecia estar acordada. Zen começou a contar quem estava lá : Lailly, Belle, Lana, Matty, Danny e Darla... mas onde estavam Maddie e Natalie?
Ainda com fraqueza e dor, a anja se levantou e foi até a porta por onde elas tinham entrado na sala. Droga pensou ela, quando a porta não abriu Está trancada.
~//~
                Natalie se sentou no carpete escuro do longo corredor sombrio. Com cuidado, ela apoiou o corpo da irmã no chão e enxugou as grossas lágrimas de seus olhos.
Sua pele ardia, coberta de pequenos cortes finos, com gotas finas de sangue –provocados pelos cacos de vidro do espelho que ela quebrava ao atravessar o espelho-portal que a levara até o corredor - que tornavam a pele levemente rosada. Seu braço direito estava completamente encharcado de sangue, que saia de um grande corte feito por Branka. Seu cabelo estava molhado de sangue nas pontas, seu vestido rasgado e sujo. Sua maquiagem estava borrada pela água.
Ela analisou o corredor. Um teto sujo, um carpete escuro que se estendia por todo o corredor longo. O corredor estava vazio exceto por um grande armário de madeira escura que parecia estar trancado. Algumas lâmpadas fracas estavam penduradas no teto, e não havia nenhuma janela no corredor. Natalie não enxergava um fim, mas apenas um grande círculo negro rodeado de vidro quebrado. Ela respirou fundo, tirou os cacos de vidro das solas dos pés e colocou os sapatos da irmã.
Então Naty ouviu um ruído. Um pedaço do teto despencou próximo a ela, e outros começaram a se soltar.
– DESABAMENTO! – Ela gritou, agarrando o corpo da irmã e correndo. Parecia que o corredor não tinha fundo e que a única saída era o armário.
Abrindo a porta grande e pesada, ela arremessou o corpo de Maddie dentro do armário e entrando em seguida ouvindo um barulho de algo caindo no chão. Em seguida, ela escorregou e caiu em um buraco iluminado por algumas luzes fracas que vinham de velas espalhadas pelo teto. Uma corrente estava parada em sua frente, ela tinha o tamanho de quase três homens adultos. Eu devo puxar? Natalie questionou a si mesma Não tenho nada a perder, mesmo. Ela puxou a corrente, vendo uma escada em espiral aparecer no lugar da corrente. Colocando Maddie sobre seu ombro, Naty subiu a escada, até encontrar uma pequena porta. Apoiando a irmã no chão, ela forçou a porta, até encontrar uma sala escura, levemente iluminada por uma luz verde menta. Colocando os pés dentro da sala, ela viu as amigas caídas, com cara de quem estava inconsciente e Zendaya, que encarava uma parede, sentada, com a cabeça apoiada nas mãos.
– NATY! – Exclamou a anja, com cara de quem tinha visto água no deserto.
– ZEN! – Naty exclamou
– Você está... – A anja começou
– Imunda, sangrenta e desarrumada. Eu sei. – Natalie revirou os olhos
– Como isso aconteceu? – Zendaya parecia incrédula
– Branka... pelo que eu entendi, ela deixou todas nós inconscientes, deixou vocês aqui e levou eu e Maddie para um galpão abandonado nos arredores de Londres.
– E Maddie...?
Natalie explicou tudo para Zendaya, e não se surpreendeu quando a anja fez cara de espanto.
– Então Maddie... se foi?
– Foi
Os olhos de Zendaya se marejaram de microlysts. Ela tinha passado grande parte de sua morte vendo pessoas morrendo, mas a ultima vez que vira alguém tão querido morrer, essa pessoa era sua mãe e Zen ainda era Maya.
                Natalie e Zendaya ficaram paradas, então Zen se sentou e a Naty fez o mesmo. Passados alguns minutos, Natalie respirou fundo e agarrou o corpo sem vida de Maddie e o abraçou. O corpo estava mais gelado do que nunca. Se houvesse uma maneira de trazer Maddie de volta... Lágrimas de vampiro tem um poder curativo e superpoderoso Natalie se lembrou das palavras que ouvira de sua mãe quando era bem menor – Uma das poucas palavras gentis que ela se lembrava em ter ouvido sua mãe falar Mas esse poder só funciona se as lágrimas forem reais, cheias de emoção e sentimentos puros. Era exatamente aquilo que Natalie precisava, embora ela achasse que fosse uma grande ironia uma pessoa que não sabia amar, como sua mãe, falasse de amor.
– Zen... acho que sei como trazer Maddie de volta a vida!
Antes que Zendaya pudesse responder, Natalie enxugou seus olhos vermelhos nas costas da mão esquerda e esfregou as mãos no rosto de Maddie, e abraçou a irmã com força. Então ela ouviu uma respiração, fraca e ofegante, seguida de um grito :
– Me solte! Você está me sufocando! – Maddie reclamou
– Pensei que você tivesse ido! – Natalie ignorou o chiado da irmã, e continuou a abraça-la
– Como assim? – Disse Maddie
Natalie soltou a irmã e contou tudo o que havia ocorrido depois que Maddie tivesse ido, e riu com a cara de susto da irmã. Agora, Naty sentia que tinha recuperado algumas coisas que ela tinha perdido havia muito tempo : coragem, espírito de aventura e animação.
– Como está seu braço? – Maddie perguntou, encarando o braço sangrento da irmã
– Dolorido... mas não importa – Natalie foi interrompida por um ruído e um pedaço do teto despencou, atrás dela
Maddie finalmente olhos para os lados, se levantou e abraçou Zendaya, como se fossem amigas de longa data que não se viam a tempos.
– Como vamos sair daqui? A porta está trancada! – Zendaya encarou a porta grande, que ela havia tentado empurrar a alguns minutos
– Não sei... – Maddie disse
Mas Natalie ignorou elas, e correu para a porta, a derrubando com um estrondo, que fez Belle, Lailly, Lana, Danny, Darla e Matty acordarem, reclamando e fazendo perguntas sobre a aparência das gêmeas. Maddie e Zen se encarregaram de contar tudo.
– Estão nos procurando – Avisou Naty – Eu vou na frente.
Entrando pelo corredor com chão de mármore que levava ao salão de festas, Natalie deixava um rastro vermelho de sangue, seguida de perto por suas amigas.
Com um ar de quem sentia dor, porém não demonstrava. Mantendo a cabeça erguida, Natalie ignorou todos os comentários que surgiam a suas costas, todos diziam coisas como “Credo”, “O que é isso?” e “Anjos sombrios”. Mas ela não se abalou. Seus cabelos pesavam, molhados, encharcando a parte traseira do vestido.
Naty cruzou o salão, até a mesa do fundo, onde estava sua família. Ela não iria fazer como as meninas normais, que chorariam rios depois do que tinha acontecido. Ela iria retomar o posto que era seu : o de coragem. Ela ignorou os olhares de indignação, quando uma voz sussurrou ao seu lado, Natalie odiava ouvir aquela voz.
– Madeleine? – Perguntou Rebecca Bloom, a mãe de Maddie e Naty. A mãe da garota estava com um longo vestido preto, não que ela usasse algo muito diferente quando estava em seu palácio. Natalie nunca se lembrou de ter ouvido a mãe falar com ela usando um tom de voz tão gentil
– Natalie. – Respondeu Naty, grosseiramente. Ela realmente tinha feito algo tão corajoso a ponto de ser confundida com a irmã?
– Isso não é possível – Rebecca respondeu, no mesmo tom da filha
– O que não é possível? Eu ser capas de ter feita algo grande e valente? Eu ser capas de ter liquidado Branka?
– Do que você está falando?
Natalie hesitou. Encarando aqueles olhos frios e vermelhos, o rosto com cara de desafio de sua mãe. Ela precisava acabar com o que tinha começado a cinco séculos. E ela iria acabar com aquilo ali, naquela noite.
Ficando nas pontas dos pés – embora estivesse de salto – Natalie contou tudo que tinha acontecido, desde quando acharam a sala. Rebecca parecia completamente incrédula :
– Você está mentindo. Não seria capas disso. – Duvidou a mãe
– Mentindo? Claro que eu estou mentindo – Ironizou Natalie – Branka não fez um corte no meu braço – Ela esticou o braço direito, que ainda sangrara, na cara de sua mãe – Eu não liquidei Branka, usando os anéis – Ela esticou o anel, que ainda brilhava, mostrando que fora usado recentemente – Eu também não atravessei um espelho-portal – Disse ela, mostrando alguns cacos de vidro de espelho que permaneceram em sua pele –  E muito menos trouxe Maddie até aqui, puxando uma corrente – A garota mostrou as marcas que permaneciam em sua mão – E é só uma lenda que lágrimas de vampiro tem alto poder curativo – Natalie passou a mão suavemente nos olhos e passou por cima do braço. A água das lágrimas ardeu, mas ela não se importou; a dor do braço desapareceu, e o corte se fechou lentamente, enquanto os pequenos cortes do espelho, que estavam em volta do grande corte começaram a se fechar.
O queixo de Rebecca caiu. Natalie nunca conseguiria isso. Talvez seja apenas uma mentira.
- Madeleine... isso é verdade? – Perguntou ela à filha
- É a mais pura verdade – Maddie encarou a irmã e a mãe. Natalie tinha um olhar puro e suave, enquanto Rebecca estava incrédula.
Então, a ultima coisa que Maddie esperava aconteceu : sua mãe abraçou Natalie. Não era um desses abraços falsos, típicos de Hollywood; era um abraço real, cheio de emoção.

Sweet 1400 - Capítulo 4

O fogo ainda não tinha consumido nem uma parede do galpão, mas as gêmeas estavam tensas.
- Estamos perdidas! – Exclamou Maddie, se sentando no chão de concreto
- Você vai deixar a Branka ganhar? – Natalie encarou a irmã, ignorando seu braço sangrento e muito dolorido – Vai deixar ela ganhar?! Essa não é a Maddie que eu conheço!
- E você tem uma ideia melhor? – Rebateu Maddie, com desdém e irônia
- Eu tenho um plano. Para destruir a Branka – Uma espécie de sorriso sorrateiro que Maddie nunca tinha esperado ver em Natalie se formou no rosto da irmã
- Então conte! – Maddie encarava Naty
- Vamos usar os aneis! – Natalie exibiu novamente o sorriso
As gêmeas tinham anéis idênticos. Eles tinham uma pedra roxa e uma pedra rosa entrelaçadas, formando uma esfera presa em um anel de ouro branco. Por mais que parecessem anéis comuns, quando apontados um para o outro e com uma canção, os anéis emitiam o maior poder do mundo
- Mas nunca usamos eles antes! Não temos garantia nenhuma de que vai funcionar! – Maddie respondeu, desacreditando na ideia da irmã
- Agora você está parecendo comigo! Deixa disso! – Natalie tentou convencer a irmã - Você sabe a música, eu sei a música e nós temos os anéis. Afinal, não temos nada a perder!
- Mas como vamos convocar Branka até aqui?
- Assim – Natalie respirou fundo e gritou – BRANKA VACA NOJENTA!
Um vapor esverdeado surgiu no centro do galpão e Branka apareceu no meio dela, puxando o fogo que tinha consumido meia parede com as pontas dos dedos, e fazendo ele sumir :
- DO QUE VOCÊ ME CHAMOU? – Ela disse, grosseiramente
- De vaca nojenta. V-A-C-A  N-O-J-E-N-T-A  – Naty mostrou sua língua para a prima, e piscou para Maddie, posicionando o anel, enquanto Branka corria para Natalie – AGORA!
Maddie e Naty deixaram os anéis virados um para o outro e começaram a cantar em uníssono :
- Que o nossos poder se reúna, com o florescer de uma flor. Destruiremos o inimigo, com o florescer de uma flor. Pois somos mais fortes e estamos unidas!
Uma grande bola de luz violeta, que era poder puro, se formou entre as irmãs, avançando para Branka, fazendo um pó esverdeado se soltar por todo o galpão e ele voltar a pegar fogo.
- Liquidamos Branka! – Maddie exclamou – Como está o seu braço?
- Dolorido... Vamos fugir! – Natalie respondeu, ofegando
- Mas por onde?
- Acho que ali tem uma escada! – Naty apontou para o outro canto da sala, onde havia um buraco do tamanho de uma porta – Vamos! – Ela puxou a irmã pelo braço
Maddie se levantou. Elas foram até o buraco, e Naty desceu, depois Maddie. Nataleie estava ocupada procurando por alguma saída, algum portal ou passagem que levasse até o salão de festas, quando se virou pra trás e viu Maddie caída no chão. A ponta de seu salto estava presa na capa, e ela estava caída no chão, sem respirar, nem ofegar, nem falar. Seus olhos estavam fechados e ela parecia ter levado um tombo. Natalia se virou e foi até a irmã :
- M-M-Maddie? – Natalie gaguejou, sem receber respostas.
Natalie abaixou, colocando a mão no pulso da irmã, e sentiu. Sem batimentos. Maddie tinha ido? Ela estava sozinha, naquele galpão em chamas? As lágrimas rolaram por seu rosto, parando em seu queixo.
Ela sentiu o vidro da janela ao seu lado cair sobre ela, cortando pequenos centímetros de sua pele, e sobre todo o piso na frente, até um espelho. Não era um espelho normal, era o Espelho da Verdade. Natalie concluiu, ela deveria quebrar o espelho para voltar ao salão de festas.

Descalça, Natalie segurou o corpo da irmã por cima do ombro direito, com o braço machucado e começou a correr, com o punho da outra mão pra frente e a cabeça abaixada. Os cacos cortaram a sola de seus pés, e os cacos de espelho cortaram mais centímetros de seu corpo. Ela atravessou um o buraco que tinha deixado no meio do espelho e parou em um corredor, se sentando e colocando o corpo de Maddie ao seu lado, as lágrimas de Naty caiam em seu vestido sujo e completamente ensanguentado.

Sweet 1400 - Capítulo 3

Maddie acordou em uma sala estranha. Parecia um galpão. Onde quer que ela estivesse, o local era frio e estava afastado do centro de Londres. Ela estava parada contra uma parede gelada, quando percebeu que tinha sido a ultima a acordar. Mas cadê a Naty? Maddie pensou; sua pergunta foi respondida por um gemido: Natalie estava amarrada em uma cadeira e amordaçada. Mas ao seu lado estava Branka, a prima de Maddie que sempre tinha a odiado. Aquilo cheirava mau pra Maddie, muito mau.
                - Nossa convidada de honra acordou! – Debochou Branka, com seu sotaque hungro – Bem a tempo de me ver falar com a irmãzinha dela! – Branka puxou uma espada de uma caixa de madeira, que estava ao seu lado.
                - O que você vai fazer com a minha irmã? – Maddie questionou a prima apontando para a espada, com uma coragem que ela não tinha naquela situação.
                - Não é obvio? Ela te ama, ela morreria por você, então eu vou torturar ela – Branka baixou a voz e sussurrou para ninguém, apenas Maddie ouvir – e depois matar vocês duas.
                Maddie engoliu em seco. A ideia de sua irmã morrer por ela a assustava. Mas ela não ia se abaixar diante de Branka.
                Um grito calou o silêncio. Branka tinha passado a espada fazendo um corte vertical no braço direito de Natalie, que sangrava muito. O sangue pingava no chão, Natalie gritava e chorava, mas Branka dava altas gargalhadas. Maddie não queria acreditar no que via, mas seus olhos nunca tinham mentido para ela.
                - Gostou disso, Madeleine? É isso que eu posso e vou fazer com você – A voz de Branka parecia veneno penetrando na pele de Maddie
                - N-n-não – Maddie gaguejou
                - Então veja isso! – Branka se virou para Natalie e tirou a mordaça da boca dela, entendendo um copo – Beba! Agora!
                - Eu não quero! – Natalie encarava Branka, segurando o braço que sangrava
                - BEBA OU EU MATO SUA IRMÃ! – Branka gritou, com um sorriso maléfico no rosto
                - Então tá – Natalie pegou o copo, que continha um líquido escuro, e bebeu um gole, tremeu e deixou o copo cair no chão. O líquido espirrou um seus tornozelos e os cacos voaram, cortando a pele de suas pernas. A garota agora parecia mais frágil e sensível
                - Esse era o resultado que eu queria – Branka riu, pegando outro copo com o mesmo líquido e virando na boca de Natalie, que não conseguiu reunir forças para se proteger e engoliu o líquido com desgosto
                - Que coisa é essa? – Naty agora estava rouca, e seus olhos estavam melancólicos e cheios de lágrimas
                - Eu não sei o nome na sua língua, mas é uma bebida que faz quem bebe ela ficar fraco. Espero que tenha gostado! – Branka riu novamente, sem um pingo de dó
                - PARE DE TORTURAR A MINHA IRMÃ! – Maddie gritou. Ela tentou se mexer, mas estava presa por cordas invisíveis, e Branka lhe amordaçou
                - Deixe eu ver... NÃO! – Branka, pegou uma adaga do mesmo baú de onde tinha tirado a espada – Essa é a sua punição pela sua ousadia de fazer esse pedido – Branka passou a faca pela parte de trás da cabeça de Natalie, fazendo um corte.
                Naty gritou de dor novamente, com lágrimas correndo por sua fala. A poça de sangue em que a cadeira em que ela estava presa ficou maior.
                - Você está sentindo algo, pirralha? – Branka perguntou para Naty
                - Dor... muita dor... – Natalie reuniu forças para responder
                - Ainda é pouco – Branka guardou o soco inglês no baú e procurou algo.
Passados alguns minutos, Branka tirou do baú um canivete suíço. Natalie engoliu em seco, mas Branka simplesmente cortou as cordas que prendiam Naty á cadeira, e em seguida empurrou a prima no chão e pisou no braço com o corte –que ainda sangrava – e só parou até ouvir um “crack”. Em seguida, Branka virou de costas para Natalie para prender Maddie pelo pescoço. Mas Naty chutou a bunda de Branka, que a prendeu :
- COMO VOCÊ OUSA TOCAR EM MIM?! – Esbravejou Branka
- OUSANDO! – Naty respondeu, com força
- Então eu vou preparar a sua punição : Você morre primeiro e depois sua irmã – Branka segurou Natalie pelo pescoço, conta a parede – Diga suas ultimas palavras?
- Volte para o inferno,  v****! – Natalie gritou com rouquidão, e em seguida mordeu a mão de Branka com suas presas e passou por baixo de seus braços.
- Então vocês vão morrer juntas, queimadas! – Branka gritou
- Vamos fugir! – Maddie gritou, se livrando da mordaça e das cordas
- Não tão rápido! – Branka acendeu três isqueiros ao mesmo tempo, tacou fogo em um grande pedaço de madeira e arremessando-o para uma parede, que começou a pegar fogo – MORRAM QUEIMADAS! – Ela gritou e desapareceu

Sweet 1400 - Capítulo 2

 As irmãs subiram a escada de mármore claro coberta por um tapete roxo. O salão de festas era enorme. O chão de mármore entrava em contraste com as paredes eram brancas e estavam iluminadas por um grande lustre com diamantes – que estava pendurado no teto. As mesas do salão estavam cobertas por toalhas pretas, com grandes arranjos de flores falsas feitas de pedras preciosas, taças de cristal e pratos de porcelana. Cadeiras pretas de madeira, janelas grandes com cortinas de seda, alto-falantes de onde sairia uma música que ainda não tinha começado a tocar e alguns buracos de ventilação por onde sairia a fumaça que adornaria o chão do salão durante a festa deixavam o lugar mais glamuroso.
                 Enquanto Natalie encarava o salão com o queixo caído, Maddie espiava pela janela vários carros cruzarem a rua. Os convidados estavam chegando, embora fossem apenas 20:07, segundo o relógio da rua da frente, que tinha acabado de dar oito badaladas. Mas aquele não era um relógio comum; era o Big Bang. Mesmo que Maddie não devesse ficar com a cabeça quente em seu aniversário, o pesadelo que ela tinha tido na noite passada ainda atormentava sua mente. Não é real pensava Maddie Não pode ser real.
                A medida que o tempo foi passando, os convidados chegavam e o salão estava se lotando. Depois de serem cumprimentadas pela maioria dos convidados, Maddie e Naty se sentaram em uma mesa qualquer com Zendaya, Lailly, Belle, Lana, Matty, Danny e Darla. As meninas já tinham sido interrompidas diversas vezes quando decidiram se levantar:
                - Acho que tem uma sala aqui! Ela está vazia, lá poderemos conversar em paz! – Maddie arrombou a porta com um grampo de seu cabelo e entrou
                - Que escuro – Murmuraram Naty e Belle ao mesmo tempo, encarando a sala completamente coberta pela escuridão
                - Onde está o interruptor dessa sala? – Danny começou a tatear a parede, como se o interruptor fosse aparecer diante de sua mão
                - Acho que é mais fácil assim – Lana bateu palmas e as luzes se acenderam
                As meninas passaram alguns minutos em silêncio, apenas observando a sala vazia. Mesmo com as luzes acesas, ela parecia escura e sombria. Repentinamente, uma neblina cobriu o chão, e tudo ficou escuro
                - Mas que diabos...? – Maddie disse, um pouco assustada mas mesmo assim com imponência na voz
                Do nada, uma luz apareceu na parede da sala. A luz mostrava uma imagem, mas a imagem não estava nítida. Um pouco depois, a imagem começou a ficar mais visível. Duas garotinhas, muito parecidas, com cabelos negros, olhos vermelhos e pele pálida; elas estavam no meio de uma floresta, tentando subir em um cavalo :
                - Eu vou subir! Me levanta, Maddie? – Disse uma das garotinhas, que tentava subir nos ombros da irmã
                - Se você parar de chacoalhar, vai ajudar muito, Naty – Disse a outra garotinha, que agora tentava levantar a irmã nos cavalos
                As oito meninas, que estavam na festa, encaravam a lembrança silenciosamente, quando Natalie rompeu o silêncio :
                - E-e-eu lembro d-desse dia – Ela gaguejou, enquanto uma lágrima rolava por sua bochecha esquerda.
                Nenhuma das meninas disse mais nada, enquanto observavam a pequena Natalie subir no cavalo, o cavalo derruba-la, ela cair, bater a cabeça e começar a chorar. Então, Belle encarou a Natalie ao seu lado e colocou a mão sobre seu ombro, com compaixão :
                - O que houve nesse dia? – Belle encarava a amiga como se fosse um médico perguntando a uma criancinha que tinha acabado de quebrar o braço
                - Eu meio que p-perdi a coragem pra aventuras – Naty estava com cara de quem ia chorar
                A imagem foi desaparecendo, e agora mostrava a imagem de uma garota, um pouco mais velha do que a que estava na imagem anterior, corria por uma floresta. Sua roupa era preta, e parecia que estava suja de terra. Ela ofegava e tinha arranhões na face.
                - Quando eu fugi do reformatório – Maddie parecia orgulhosa de si mesma.
                A Lembrança foi se dissolvendo, dando lugar ao hall de um palácio. Havia uma mulher sentada em um trono, e uma garota ligeiramente mais velha do que a que estava correndo na floresta. A garota tremia, e encarava a mulher :
                - É INADIMISSIVEL TER UMA FILHA QUE NÃO GOSTE DE BEBER SANGUE! E QUE NÃO GOSTE DE MATAR! – A mulher gritava com a menina
                - Mas mamãe...
                - SEM “MAS”. EU PREFERIA TER UM FILHO NO SEU LUGAR!
                Sete das oito amigas estavam encarando a imagem, com olhos arregalados. Mas Natalie não fazia isso; ela já sabia o que iria acontecer. A garota saiu do hall e subiu as escadas, enquanto chorava. Ela entrou em seu quarto e bateu a porta.
                - O que foi? – Perguntou a menina, que pelo visto era Maddie
                - NÃO É DA SUA CONTA! VOCÊ SEMPRE FOI PERFEITA, SEMPRE FOI A FAVORITA! – Naty se jogou na cama
                Ninguém falou nada enquanto a imagem começava a girar, e era substituída por muita fumaça. Duas meninas, da idade das garotas que observavam a lembrança, corriam, quando um caiu dura no chão e a outra a segurou e correu. O local em que elas estavam pegava fogo. É o pesadelo que eu tive! Maddie pensou.
                - Estranho... eu não lembro de isso ter acontecido – Natalie encarava a lembrança. Não dava pra ver qual das gêmeas era quem pois suas roupas estavam cobertas por fumaça, sujeira e sangue.
                As meninas não falaram mais nada, pois as oito amigas foram atingidas por algo duro e desmaiaram.

Sweet 1400 - Capítulo 1

Maddie acordou numa madrugada de outono.. Já a era o seu aniversário de 1400 anos, mas ela era a única acordada no palácio. Ainda eram só três da manhã, mas ela não conseguia voltar a dormir.
Maddie se lembrava de ter tido um pesadelo horrível, em que haviam dois vultos muito parecidos fugindo de um salão em chamas. Os dois vultos sangravam, e um puxava o outro pelos destroços. Não ,pensou Maddie, não podem ser eu e a Naty, isso foi só um pesadelo, não é real.
Com dificuldade ao se levantar por cima da cama, por causa da preguiça matinal e de seu mau-humor que ela tinha todas as manhãs. Arrastando os pés por cima das pantufas roxas, Maddie passou na frente do Espelho da Verdade. O único espelho que tinha o poder de revelar o reflexo de um vampiro, a alma de um humano e a versão humana de qualquer monstro. O espelho agora refletia seu rosto. Mais pálido que o comum, agora sem maquiagem, seus cílios eram menores do que com rímel, seus olhos pareciam maiores sem a sombra e o delineador e seus lábios estavam muito mais claros do que geralmente ficavam. Estavam em um tom nude, quando geralmente eram vermelhos, pelo batom. Seus cabelos pretos estavam arrepiados.
Sentando-se na poltrona perto da janela, os jardins do palácio estavam escuros, mas a garota sabia que o jardim estava coberto de folhas nos tons de amarelo, laranja, vermelho e marrom, tornando-o mais bonito do que nas outras estações.
O tempo parecia não passar. Os olhos de Maddie foram se fechando aos poucos, e ela adormeceu na poltrona.
~//~
Natalie acordou em sua cama. O cobertor rosa estava enrrolado nela, e ela estava encolhida. O relógio prateado em cima da cômoda marcava 8:12, e em cima marcava 31/10. Eu sou tão inteligente que esqueci meu próprio aniversário Natalie riu de si mesma Como eu esqueci? No mês passado eu passei o tempo todo olhando catálogos de lojas de vestidos, e na semana passada eu estava olhando listas de joias!
Sem parar pra olhar para o além, Natalie se levantou, se enrolou em seu roupão, calçou suas pantufas de panda, andando em direção a uma pequena janela. Graças a alta tecnologia que a realeza tinha, um robô lhe entregou uma bandeja com alguns pratos, um copo e 3 potes. Só então percebeu que estava faminta.
~//~
O tempo passou rápido para as duas irmãs. Maddie acordou, Naty fez as unhas e elas ficaram até aproximadamente as 18:00 sem fazer nada relacionado a sua família, amigos ou a sua festa de aniversário.
Mas as 18:00, Natalie abriu a porta que separava os quartos :
- ­MAAAAAAAAAAAAAAADIE, VAI SE ARRUMAR PRA FESTA! – Naty gritou para a irmã
- VOCÊ NÃO MANDA EM MIM! VOCÊ NÃO É MINHA MÃE! – Maddie respondeu a irmã no mesmo tom
Passados alguns minutos, Natalie já tinha fechado a porta e já estava dentro de seu closet. Um lindo vestido rosa tipo mulet (em que na frente a saia é curta e vai caindo até começar a chegar na altura dos pés, na parte de trás) e tomara que caia estava separado de costas para a garota, em cima de um banquinho. Ela encarava as 6 prateleiras com sapatos de salto alto. Estava indecisa entre o rosa, o prata ou o transparente. Deviam ter se passado cerca de uma hora e meia quando ela se decidiu pelo par de saltos transparente  e um par de brincos de diamante.
Nesse meio tempo, Maddie tinha pego um vestido longo lilás, um par de saltos meia pata roxos, um par de luvas pretas e uma capa roxa que chegava a arrastar no chão.
Meia hora mais tarde, elas entraram em uma limusine para se dirigir a um salão de festas. Elas tinham concordado com sua família que era arriscado colocar quase 500 pessoas dentro do palácio, então a festa seria em um salão de festas chique.
Os olhos das duas irmãs brilharam quando elas saíram do carro. O prédio de três andares – um com a recepção, um com o salão e um com a cozinha – estava com as portas abertas. Maravilhadas, elas caminharam até a entrada, e subiram as escadas, mesmo que a festa ainda não tinha começado.

Sweet 1400 - Introdução

Ao atingir 1400 anos, um vampiro já está pronto pra se defender e enfrentar suas lutas. Mas quando Branka Bloom, a prima invejosa de Madeleine e Natalie Bloom - gêmeas vampiras e princesas da Inglaterra, descobre que suas "queridas" primas estão fazendo aniversário e que Branka não foi convidada, ela arruma um modo de levar a festa ao desastre. Será que as gêmeas serão capaz de vencer sua prima? Será que Natalie superará o seu maior medo? Apenas lendo para descobrir

12/16/2013

Especial Halloween 2013

      Era mais ou menos três da manhã quando escutei um barulho ensurdecedor. Levantei rapidamente, eu estava um pouco impressionado. Eu estava sozinho em casa, o que me fez deletar completamente a chance de ser meu pai bêbado derrubando objetos ou coisas assim em casa, me lembrei que ele só viria no mês seguinte. Cocei a nuca com sono, e fui em direção a porta para acender a luz. Apertei o interruptor, nada. Apertei aquele maldito interruptor umas mil vezes e nada, desisti e fui rumo a minha escrivaninha, pegando uma lanterna que estava ali.
       Acendi a lanterna, aquela luz fez eu ficar quase cego por alguns instantes. Olhei pela janela e tudo estava deserto, me assustei. Ali normalmente ficava super barulhento, e na verdade, tudo estava no mais perfeito silêncio. Eu odeio esse silêncio.
       Abri a porta vagarosamente e olhei em volta com a lanterna sendo minha única forma de visão. Escutei os estalos altos da escada enquanto eu descia por ela, um pequeno pedaço de madeira da escada furou meu pé. Cambaleei até a ponta da escada e me sentei, retirando o pequeno pedaço de madeira do meu pé, que estava sangrando. Pouco, mas estava.
       Ardia sempre que eu pousava me pé no chão, mas eu deixei essa dor de lado e continuei a caminhar rumo ao barulho estranho que eu tinha escutado quando acordei. Eu estava curioso demais para parar naquele ponto, mas eu tinha perdido o sono completamente. Continuei a caminhar e desci as escadas em direção ao porão, enquanto eu descia, o cheiro começou a ficar forte, um cheiro de algo podre, não me contive e apertei meu nariz por causa daquele terrível cheiro.
       A lanterna não me ajuda tanto, a luz da lanterna deixava o porão estranhamente sombrio. Olhei em volta e senti um arrepio na espinha, eu estava com medo do que tinha lá, o cheiro ainda entrava no meu nariz, mesmo eu o tendo tapado. Achei aquilo loucura e comecei a subir as escadas para voltar a dormir.
       Péssima ideia.
       Alguém puxou meu pé firme, fazendo eu bater meu queixo com tudo no chão, sangrando muito. Eu queria gritar, de medo e dor, mas nenhum som saia de minha boca. O sangue que escorria de mim fazia um rastro no chão, fazendo eu me molhar com o meu próprio sangue. Tentei segurar em algo que aparecia pela frente para quem estava me puxando não conseguir me puxar mais que o atual, mas foi em vão, a pessoa era extremamente forte. Com raiva, soquei o chão, e levei minhas mãos à lateral de minha cabeça, apertando-a levemente. Isso só pode ser um pesadelo! Pensei, desesperado. Fechei meus olhos e os abri logo em seguida, eu ainda estava sendo puxado, e fui levado a um lugar que eu nunca tinha visto antes.
       A pessoa parou.
       Eu estava todo machucado por conta do chão, tentei me levantar, mas eu estava com dor demais para me levantar. Então, apenas me virei, e vi grandes olhos, vermelhos e penetrantes perto de mim. Fechei meus olhos, e ouvi as palavras macabras que ecoavam em minha mente, ele dizia tudo em um modo assustador :
       Olá.
       Eu, sou parte de você.
       Sou seus pesadelos. Sou o que há de mais macabro em você.
       Seu maior pesadelo era ser um vampiro, não era?
       Alegre-se!
       Seu pesadelo irá se transformar em realidade!
       Senti algo perfurando meu peito, perfurava mais e mais. Minha vida toda passou pela minha cabeça, e me lembrei, que quando eu era pequeno, eu sempre sonhava em ser um vampiro. Sorri. Um sorriso bobo e infantil. 
       - Obrigado. - respondi sentindo minha pele ficar mais gélida e pálida, ao dizer isso, senti meus dentes crescerem, e pousarem na minha língua, levemente. - Obrigado.
        Me lembrei da data, era 31 de outubro. 
       Feliz Halloween. Espero que tenha a mesma felicidade que eu, ou até maior.

CreepyPasta - Amigo

        Daniel gosta de ler creepy pastas ou histórias de terror, e em um site qualquer de histórias creepys em geral, encontrou um texto que se chama 'Amigo' que lhe chamou a atenção :

         "Olá, essa aqui parece só mais uma biografia besta para qualquer fã ou pessoa interessada comprar, ler e esquecer. Biografias são só para fofoqueiros e curiosos, que querem saber da vida de todos, mas no modo como esperam : sozinhas, com as próprias fontes, pesquisas, e ser a primeira a saber. Pois bem, fugi demais do assunto, então vamos ser diretos. Meu nome não lhe interessa, muito menos nisso que estou disposto a escrever, nem na marca que isso vai fazer na vida de você que lê isso. E lembre-se : eu sou seu amigo. 

         Sabendo isso, pode-se saber que eu sou confiável, você muito confia em mim. Então ao descobrir tal fato, sabe-se também que, o que irei relatar é a mais pura verdade, até porque, o que eu ganharia contando uma mentira para quem mais confia em mim?

        Vamos ir para o assunto certo, vamos parar de ficar enrolando e enrolando palavras que não vão servir para nada no futuro, nem em momento algum. 
         Eu sou a pessoa que você mais ama, que você mais gosta de ter junto, com a qual você se sente bem, se sente feliz, se sente seguro. Sem mim, você não se encontra nesse mundo. Eu, só existo para você. Você nunca se perguntou? 'Como a pessoa mais perfeita, meu melhor amigo pode ser assim, tão perfeito, do jeito que um bom amigo poderia ser?'
           Talvez você não tenha essa pessoa, mas isso não importa para você então. Se você não o tem, você pare de ler, você, é só mais uma pessoa ridícula, que não tem amigos e será odiado, você é curiosio, e deve saber : a curiosidade mata. E você já morreu várias vezes, é por isso que você é esquecido por todos. Nunca se perguntou?
          Você pode fazer qualquer coisa por mim, não pode?
          Se lembra quando discutimos aquela vez? Se não lembra, posso relatar certinho : você tinha ciúmes, você queria que eu fosse seu único amigo. Fomos ao banheiro, pelo menos eu fui, esperando que você ficasse do lado de fora, esfriando a cabeça, enquanto eu molhava meu rosto. Mas eu pensei errado, você invadiu o banheiro e me segurou por trás, apertando minha nuca. Você bateu minha testa com tanta força na pia que chegou a sangrar. Tomado pelo ódio, você me jogou em um box do banheiro, e enquanto eu agonizava no chão, quase morrendo pela falta de sangue você ia buscar as cordas, pensando que seu plano iria dar certo. Você chegou com a corda e amarrou-a no encanamento empurrando-me para fora do box. Você pegou um balde ali, e colocou em baixo da corda. Você sabia que eu iria acordar logo, então, pensando que, com isso, ninguém mais poderia se tornar meu amigo, me tornando apenas seu. 
Você subiu em cima do balde para atar um nó na corda, sorrindo.
         Eu acordei.
          Com a mão aberta, apertei seu pescoço com uma força maior na qual você usara em mim. Coloquei a corda em volta de seu pescoço, e você tentava se soltar. Era tão engraçado! Você deveria ter visto do meu ponto de vista! Obrigado por me proporcionar um dos momentos mais engraçados após a minha morte!
         Fiquei te observando com meus olhos mortos, você gritar :
         - Eu te amo! Eu só fiz isso porque não quero que ninguém tome o meu lugar! Você foi feito para ser meu amigo! Não faça isso comigo! Por favor! - você começou a chorar e gritar, com as mãos na corda que segurava seu pescoço, tentando se soltar. Eu ria mais ainda. Você é muito engraçado. - Ninguém pode me tirar de você! Por favor!
         Então você fez uma das coisas mais idiotas e burras que você poderia ter feito. Você deu um passo para frente, tentando ficar perto de mim, mas o balde em baixo de você caiu e você começou a se enforcar, sozinho, você é hilário! 
          Você agonizava, balançava as pernas a procura de algum sólido, e eu ria, ria tanto. Eu sentia prazer em te ver morrendo, eu gosto de rir. Foi por isso que eu me tornei seu amigo. Você é engraçado.
Você parou de se mecher. Sua pele ficou mais clara, vi bastante sangue escorrer da sua boca, e você fechou os olhos. Eu fiquei triste. Você não era mais engraçado. Você não é mais meu amigo. Você não disse que faz tudo por mim? Então! Se mate! Você me fez triste! Me faça rir pela última vez! Amigo!"
          Daniel engoliu em seco : sabia quem escrevera.
          Quando ele era mais novo, era comum ver histórias de mortes em sua escola ou mais próximo dele ou de sua família, e não eram contos de terror contados por pessoas normais, que inventam tais fatos, pois passava sempre no noticiário. 
          Antes dele se tornar um vampiro, ele tinha um amigo, e esse amigo tinha problemas mentais, pensava que Daniel, pela cor de sua pele era um zumbi, e sempre falava isso para quem conhecia, ele achava legal, divertido, Daniel era divertido, era como ter um amigo zumbi de verdade, mas Daniel não ligava, o menino era legal apesar de seus problemas.
          Porém, um dia, ele inventou um amigo. Um amigo que ele denominava perfeito, com isso, um dia, o menino se dirigiu a Daniel dizendo :
          - Oi amigo zumbi. Eu tenho um amigo muito legal, e eu vou ficar só com ele. Ele é o tipo de amigo perfeito, ele é muito legal, qualquer dia te apresento ele, mas não se torne amigo dele. Tá?
          Daniel sempre pensou que isso era uma brincadeira, então, sempre que o menino vinha com seu amigo imaginário, Daniel cumprimentava, ria e brincava, e nunca via o menino ser tomado pelo ódio, sentindo perder seu melhor amigo para "um zumbi". 
          Um dia o menino disse para ele se afastar do amigo imáginário - ou quase imaginário -, mas Daniel apenas riu. Não dava para levar a sério algo assim.
          Algum tempo depois, encontraram ele em um banheiro em um local abandonado, as autópsias mostravam que seu corpo estava morto três dias antes de encontrarem o corpo, e não continha nenhuma marca de outra pessoa, apenas dele mesmo, o que levava a crer que ele cometera suicídio, mas Daniel não conseguia pensar o porquê dele ter se matado na época, mas agora tudo parecia tão óbvio.
          Daniel queria saber se era verdade o que pensara, e foi ver quem criara tal post, porém, viu que, o blog era abandonado, não tinha nenhum seguidor e suas postagens nunca continham comentários. Qualquer comentário que seja. E, essa era a única postagem. Ele estranhou, mas era normal ver blogs assim.
          Ele foi na área de comentários e comentou algo como :
         Gostaria de saber quem criou tal história e quem postou-a. Obrigado.
        O mais estranho, foi que a resposta apareceu no mesmo instante, e só continha um curto link, e foi respondido por um anônimo. Por que tal pessoa estaria escondendo a própria conta?
          Sem pensar duas vezes, Daniel copiou o link e colou na barra de pesquisa. De primeira, não aconteceu nada, e continha apenas um "00:00" ali. Provavelmente, era para visualizar o site à meia-noite. Porém acabou perdendo o horário, e percebeu que o site só abria àquele horário em ponto, nem um minutinho à mais. 
          Acabou contando para Injhi, já que ela conhecia todos os sites existentes no mundo. 
          - Injhi! Você conhece esse site? - ele mostra o link. Injhi leva o papel onde continha o link para perto do corpo e fecha os olhos. Ao abrir, vários códigos passaram pelo mesmo e ela ficou com uma aparência séria.
          - Esse... não continha esse site... como você o encontrou?
          - Vi uma creepy e eu perguntei quem fez, daí o cara me respondeu com esse link...
          - Não abra. - Injhi entregou o papel e saiu.
          Mas, a curiosidade era tanta, será que podia confiar? Ele não sabia o que fazer, mas estava certo : iria ver o link. 
          Naquela noite, ele se sentou a beira da cama encarando o relógio. Deu 23:58 e ele se dirigiu para o computador, colocou o link na barra de pesquisa e esperou mais um minuto.
          Primeiro, mostrava duas pessoas irreconhecíveis no fundo preto de mãos dadas, depois um curto flash, e durante esse curto flash a cabeça de uma delas sumira, acima do pescoço, tinha uma espécie de sangue e um sorriso feito aparentemente com sangue surge no rosto da outra.
          Logo após isso, tinha um vídeo. Um vídeo de como tudo acontecera na creepy. E, como não era de se esperar, o menino do vídeo - o que morreu enforcado. - era o que Daniel pensara que fosse. Ele ficou boquiaberto, porém, algo que ele não pode conter tomou conta de seu corpo, e ele começou a rir. 
          Começou a rir do sofrimento, do rosto aflito do menino, dele se enforcando, igualzinho ao tal amigo imaginário, porém com menos ódio. Daniel gostava de mortes, porém não imaginava que poderia chegar ao ponto de rir de tal maneira.
          O riso ficou mais alto, se tornou um riso histérico, um riso psicótico. Ele arregalara os olhos, ainda rindo. Depois o vídeo deu um zoom no rosto horrendo do amigo imaginário, e o rosto do tal amigo, se tornou o rosto de Daniel, rindo.
          Daniel sentiu um calafrio e caiu da cadeira. Porém, quando viu, seu computador desligara sozinho. 
          Ele continuou rindo, rindo de um jeito histérico.
          Ele estava tão maluco que pensou ver um vulto do lado de fora, sorrindo, igual o tal amigo imaginário, mas agora ele sabia que não era mais imaginário, ele sabia que era seu amigo, ele podia fazer qualquer coisa por seu amigo.

          Qualquer coisa.